quinta-feira, 19 de julho de 2007

Crianças preferem ganhar tecnologia e dinheiro de presente

Quando questionadas sobre quais seriam os presentes ideais, os mais citados foram os MP3, MP4 e IPod, dinheiro e videogame

SÃO PAULO - A Turner International Networks - empresa que engloba o canal infantil Cartoon Network - realizou uma pesquisa com 1.066 crianças entre 7 e 15 anos e mapeou o comportamento dos consumidores infantis no Brasil.
Intitulada Kids Experts, a pesquisa revelou que se engana quem acredita que criança gosta de ganhar brinquedo. Quando questionadas sobre quais seriam os presentes ideais, os mais citados foram os MP3, MP4 e iPod, eleitos favoritos por 42% das crianças entrevistadas. Já 40% afirmaram que gostariam de ganhar dinheiro e 38% disseram querer um videogame.

Meninos e Meninas
Quando meninos e meninas foram questionados, separadamente, sobre quais presentes gostariam de ganhar, eles discordaram sobre qual seria o melhor presente. As meninas disseram preferir os MP3, MP4 e iPod (49%), enquanto os meninos preferiram os videogames (54%), mas a diferença entre os sexos acaba, quando o assunto é encher o cofrinho.
Ambos os sexos disseram que dinheiro é o segundo melhor presente que poderiam ganhar, sendo escolhido por 43% dos meninos e 35% das meninas.
Em terceiro lugar, os meninos elegeram os MP3, MP4 e iPod (36%) e as meninas escolheram um mascote ou uma boneca (21%).
Vale lembrar que as 499 meninas e os 567 meninos entrevistados podiam citar mais de um presente como favorito.

Para quem pedir?
Questionados sobre para quem pediriam o presente ideal e achavam mais fácil conseguir, 40% das crianças disseram que pediriam para a mãe; 25% afirmaram que pediriam para o pai e 35% disseram pedir para os dois, pois não faria diferença.
Entre as desculpas mais comuns ouvidas dos pais para não ganharem o presente, 62% disseram que costumam ouvir que o pedido é muito caro; 55% dos pais dizem que não têm dinheiro e 46% dizem que vão comprar depois.
A pesquisa foi realizada em 2006 - e divulgada neste ano - com crianças do Rio de Janeiro e São Paulo.

Fonte: http://dinheiro.br.msn.com/financaspessoais/noticia.aspx?cp-documentid=5155398

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Pessoal,
olhem a mensagem que recebi pela lista de tutores do PEAD (Pedagogia à distância) da UFRGS. Esse texto foi extraído do jornal Zero Hora de Porto Alegre.
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Crianças – Frankstein

CLÓVIS DA ROLT

Professor, mestrando em Ciências Sociais pela Unisinos

ZERO-HORA/SEGUNDA/25/JUNHO/2007

O Mágico de Oz perdeu o encanto. Alice anda sozinha no país das maravilhas. A boneca Emília está carcomida pelas traças e a Cuca não espanta mais ninguém.

A infância que outrora aprendeu a valorizar os personagens, ambientes fabulosos e metáforas imaginativas da literatura, está cada vez mais envolvida pelas diretrizes do universo corporativo dos adultos. As crianças não têm mais tempo para viver a condição que sua idade lhes coloca, devido à ação devastatória dos próprios pais, das escolas, e das exigências da sociedade capitalista, que inculcam na infância determinadas práticas capazes de transformá-la numa fase da vida em que se gestam pequenos predadores sociais.

Crianças nascidas nos estratos economicamente privilegiados deixaram de ser crianças para se tornarem projetos futuros de denominação e exercitarem suas práticas de competitividade com o impulso da família e do sistema educacional. Há crianças que não sabem mais o que é brincar ou deixar-se tomar pelo enlevo do lúdico e da imaginação, pois estão absorvidas pelo excesso de preocupação dos pais em relação ao sucesso futuro de seus filhos. Essas crianças não apenas se amoldam a uma estrutura que lhes cobra níveis humanos de excelência e eficiência, como também devolvem para o mundo à sua volta os preceitos éticos com que são alimentadas. Muitas delas, são depositárias das experiências fracassadas dos pais.

Não é incomum vermos crianças que espelham a rotina dos pais, sendo obrigadas, além de ir à escola, a participar de uma infinita carga de atividades para compensar a permanente defasagem que os pais julgam que esta recaindo sobre elas. Isso, talvez, explique o que muitos especialistas já estão cansados de afirmar, quando se referem aos transtornos de ordem psicológica e de aprendizagem cada vez mais freqüente no universo infantil.

A infância precisa voltar a ser infância. Voluntária ou involuntariamente, ao abrirem mão de uma formação mais humanizada para seus filhos, os pais estão ajudando a constituir sujeitos supérfluos, banais e previsíveis, rendidos à dissimulação do universo adulto, cujo preceito mais evidente é garantir às crianças um futuro promissor, burlando os contextos e as práticas próprias da infância em prol de uma imbecil competitividade ensinada em best-sellers como Pai Rico, Pai Pobre, cartilhas escritas por malandros que as escolas, por exemplo, insistem em sustentar, pagando-lhes altos cachês por palestras proféticas destinadas aos pais de alunos e aos professores.

Já é uma realidade crianças de sete anos de idade ganharem um laptop para administrar as tarefas da semana, que incluem aulas de equitação com cavalos-marinhos, técnica de uso da espada samurai e leitura em braile com os dedos dos pés. Futuramente, veremos se essa abominável forma de educar gerou uma sociedade melhor ou se nos legou pessoas e profissionais que, um dia, foram crianças-frankstein.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Escolas reproduzem exclusão digital

As escolas brasileiras, em vez de reduzir a chamada brecha digital, ou seja, a distância que separa quem tem mais, menos ou nenhum acesso às novas ferramentas da tecnologia, pode reproduzir ainda mais esse tipo de exclusão digital. Esse é um dos resultados do estudo “Lápis, Borracha e Teclado – Tecnologia da Informação na Educação – Brasil e América Latina”, que a Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA), em parceria com o Ministério da Educação e com o Instituto Sangari, lançou hoje em Brasília.

De autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisas do Instituto Sangari, o estudo utiliza as informações existentes sobre a situação das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) no Brasil, na América Latina e no mundo, para dimensionar as diversas brechas digitais entre os que têm e os que não têm acesso ao mundo da informática e da internet, especialmente no campo da educação.

Segundo o estudo, essas brechas não existem apenas entre grupos de países – os denominados avançados e em desenvolvimento – mas também no interior deles, apresentando fraturas internas atribuíveis a diferenças espaciais, de raça ou de renda. “Entende-se no trabalho que as brechas nada mais são que uma nova forma de manifestação das tradicionais diferenças e divisões existentes em nossas sociedades e no mundo, novas formas de exclusão que recapitulam e reforçam as diferenças pré-existentes”, destaca Jorge Werthein, diretor executivo da RITLA.

“Entre os estudantes repetem-se as mesmas fraturas geográficas, socioeconômicas e de cor, que encontramos na população total. Espaços que deveriam promover e democratizar o acesso às novas ferramentas tecnológicas acabam beneficiando grupos privilegiados”, observa Ben Sangari, presidente e fundador do Instituto Sangari, um dos patrocinadores do trabalho.

"Este estudo é muito oportuno. Chegou na hora certa. O MEC vem realizando um esforço pela inclusão digital e por uma mudança na prática pedagógica nas escolas", observou o secretário de ensino a distância do Ministério da Educação, Carlos E. Bielshowsky, presente na entrevista coletiva de lançamento do relatório.

Os dados trabalhados no estudo evidenciam que o Brasil experimentou avanços, em alguns casos bem significativos. Mas também que existem ainda sérios problemas a enfrentar. A pesar desse enorme volume de usuários – acima de 35 milhões – o Brasil, quanto à proporção de sua população total que em 2005 teve acesso à internet (17,2%), encontra-se, na América Latina atrás de Chile (28,9%), Costa Rica (21,3%), Uruguai (20,6%) e Argentina (17,8%), e na posição 76 entre os 193 países do mundo pesquisados pela União Internacional de Telecomunicações.

Para acessar o relatório na íntegra (versão apenas para visualização): Lapis Borracha Teclado 5.84 Mb.

Fonte dessa reportagem: http://www.ritla.net/index.php?option=com_content&task=view&id=623&Itemid=1